Google Acadêmico | Citações: 1937 | índice h: 18 | índice i10: 52
Impactos da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte nos casos de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana em mulheres na região Xingu
PDF

Palavras-chave

Vírus da imunodeficiência humana
Epidemiologia
Usina hidrelétrica
Região amazônica
Avaliação do impacto na saúde

Como Citar

Impactos da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte nos casos de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana em mulheres na região Xingu. (2026). Revista Eletrônica Acervo Científico, 26, e24564. https://doi.org/10.25248/reac.e24564.2026

Copyright © | Todos os direitos reservados.

A revista detém os direitos autorais exclusivos de publicação deste artigo nos termos da lei 9610/98.

Reprodução parcial
É livre o uso de partes do texto, figuras e questionário do artigo, sendo obrigatória a citação dos autores e revista.

Reprodução total
É expressamente proibida, devendo ser autorizada pela revista.

Resumo

Objetivo: Descrever os impactos da construção da UHE de Belo Monte e a incidência de infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) em mulheres na região do Xingu, durante o período de 2000 a 2021. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo, analítico de caráter descritivo, que analisa os casos de HIV em mulheres notificados na Área de Influência Direta (AID) da UHE de Belo Monte durante 2000 a 2021, por meio de dados obtidos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Resultados: Observou-se aumento no número de casos de HIV em mulheres após o início das obras da construção da hidrelétrica, sugerindo possível associação com o processo migratório, onde foram notificados 109 casos ao total, no recorte temporal de 2000 a 2021. A maioria das mulheres acometidas estavam entre 20 e 34 anos, eram pardas, possuíam ensino fundamental incompleto e eram heterossexuais, além de 49 delas estarem gestantes no momento do diagnóstico. Conclusão: Verificou-se que além do processo imigratório da UHE de Belo Monte influenciar na epidemiologia da ocorrência do HIV, a falta de atenção das ações em saúde para o público feminino sobre o vírus amplifica a vulnerabilidade e a omissão com essa população.

PDF

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais [recurso eletrônico]. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. 2022.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Brasília, 2018a.

BRASIL. Ministério da Saúde. Indicadores e Dados Básicos do HIV/AIDS nos Municípios Brasileiros. 2023.

BRASIL. Ministério da Saúde. Recomendações para Profilaxia da Transmissão Vertical do HIV e Terapia Antirretroviral em Gestantes. Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. 2010.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. 2018b.

BRASIL. Ministério da Saúde. “AIDS: etiologia, clínica, diagnóstico e tratamento" Unidade de Assistência. 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Políticas e diretrizes de prevenção das DST/aids entre mulheres. Coordenação Nacional de DST e Aids. 2003.

CAMPANY LN DA S, et al. HIV/aids no Brasil: feminização da epidemia em análise. Revista Bioética, 2021; v. 29, n. 2, p. 374–383.

CENSO de 2022. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Rio de Janeiro.

CHAVES FN, CÉSAR MR de A. O Silenciamento Histórico das Mulheres da Amazônia Brasileira. Revista Extraprensa, 2019; v. 12, n. 2, p. 138-156.

COSTA RP, et al. Perfil, prevalência e fatores associados à infecção por HIV/AIDS em uma capital do norte brasileiro. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2024; 24(12), e18238.

ELETROBRÁS. Aproveitamento Hidrelétrico Belo Monte: Estudo de Impacto Ambiental. Leme Engenharia Ltda, Brasília, 2009.

FREIRE L, et al. Belo Monte: fatos e impactos envolvidos na implantação da usina hidrelétrica na região Amazônica Paraense. Sociedade & Natureza, 2019; v. 30, n. 3, p. 18–41.

GRISOTTI MA. Construção de Relações de Causalidade em Saúde no Contexto da Hidrelétrica de Belo Monte. Revista Ambiente & Sociedade, 2016; v.2, n.19, p.291-310.

HERRERA JA, MOREIRA RP. Resistência e conflitos sociais na Amazônia paraense: a luta contra o empreendimento Hidrelétrico de Belo Monte. Revista Campo-Território, 2013; v. 8, n. 16 Ago., p. 130–151.

KNAUTH DR et al. O diagnóstico do HIV/aids em homens heterossexuais: a surpresa permanece mesmo após mais de 30 anos de epidemia. Cadernos de Saúde Pública, 2020; v. 36, p. e00170118.

LIMA MCL, et al. Estigma e preconceito no atendimento às pessoas vivendo com HIV. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2025; 25(5), e19789.

LOUREIRO EV et al. Influência da usina hidrelétrica de belo monte nos casos de sífilis gestacional na região Xingu. International Journal of Development Research, 2022; v. 12, (02), 54123-54127.

MORAN EF. ROADS AND DAMS: INFRASTRUCTURE-DRIVEN TRANSFORMATIONS IN THE BRAZILIAN AMAZON. Ambiente & Sociedade, 2016; v. 19, n. 2, p. 207–220.

MORESCHI C, et al. Mulheres e vulnerabilidades ao HIV/AIDS. Saúde (Santa Maria), 2012; v. 38, n. 2, p. 85-94.

NUNES MO, et al. HIV/AIDS em mulheres em idade reprodutiva no Brasil (no período de 2016-2021): uma análise epidemiológica. Revista Brasileira de Revisão de Saúde, 2023; v. 2, pág. 7306–7315.

SANCHES DR M, et al. O IMPACTO DO DIAGNÓSTICO DO HIV NO PRÉ-NATAL E SUAS COMPLICAÇÕES NO PARTO E PUERPÉRIO: REVISÃO INTEGRATIVA. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024; v. 6, n. 11, p. 600–614.

SILVEIRA, M. A implantação de hidrelétricas na Amazônia brasileira, impactos socioambientais e à saúde com as transformações no território: o caso da UHE de Belo Monte. Tese (Doutorado em Geografia) – Pós-Graduação em Geografia, Universidade de Brasília-UnB, Brasília, 2016; 212p.

UNAIDS. 2022 GLOBAL HIV STATISTICS UNAIDS. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://www.unaids.org/sites/default/files/media_asset/UNAIDS_FactSheet_en.pdf>. Acessado em: 25 de janeiro de 2025.

VIEIRA AS, NASCIMENTO IP. Exploração sexual juvenil nas águas amazônicas e suas interfaces com a escola. Revista Amazônida: Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amazonas, 2018; v. 3, n. 2, p. 117–138.