Resumo
Objetivo: Analisar os aspectos epidemiológicos e laboratoriais da tuberculose multirresistente (TB-MDR) em pacientes atendidos em hospital público de referência em Teresina, Piauí. Métodos: Estudo descritivo, transversal e retrospectivo, realizado entre 2018 e 2024. Foram incluídos 46 pacientes maiores de 18 anos, com dados coletados em prontuários e no Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da Tuberculose (SITE-TB). As variáveis investigadas abrangeram perfil sociodemográfico, comorbidades, formas clínicas, esquema terapêutico, exames diagnósticos e desfechos. A análise estatística foi descritiva. Resultados: Houve predominância do sexo masculino, idade entre 20 e 40 anos, baixa escolaridade e forma pulmonar da doença. As comorbidades mais frequentes foram tabagismo, etilismo e uso de drogas ilícitas. Os fármacos mais utilizados foram levofloxacino, terizidona, linezolida e bedaquilina. Quanto aos desfechos, 39% alcançaram cura, 15,2% abandonaram o tratamento e 8,7% evoluíram para óbito. Conclusão: Os resultados evidenciam desafios relacionados à adesão terapêutica e ao controle da TB-MDR, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce, fortalecimento da atenção primária e adoção de estratégias intersetoriais que considerem os determinantes sociais da doença.
Referências
ALVES KBA. Impacto da implantação do teste rápido molecular para a tuberculose no Brasil. Tese de Doutorado (Doutorado em Saúde Pública) – Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2022; 148p.
BARBOSA BES, et al. Tuberculose: novas perspectivas terapêuticas. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2023; 23(3): e12164.
BARBOSA IR, COSTA ICC. Estudo epidemiológico da coinfecção tuberculose-HIV no Nordeste do Brasil. Rev Patol Trop, 2014; 43(1): 27-38.
BEM-BRAGA LM, et al. Closed cases of tuberculosis in Minas Gerais (2013–2023): drug resistance profile. Frontiers in Public Health, 2025; 13: 1642015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Tuberculose. Número Especial. Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conhecendo o Plano Nacional pelo Fim da TB: material para a sociedade civil. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS: Departamento de Informática do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/casos-de-tuberculose-desde-2001-sinan/.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil. 2 ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_recomendacoes_controle_tuberculose_brasil_2_ed.pdf.
COLA JP, et al. Fatores associados ao abandono do tratamento da tuberculose: um estudo transversal entre 2014 e 2019. Journal of Human Growth and Development, 2024; 34(2): 286-295.
CUNHA JPA, et al. Fatores de risco e comorbidades associados aos casos de tuberculose notificados no município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2021; 13(8): e8676.
FEITOSA MEM. Perfil epidemiológico de coinfecção HIV-tuberculose do estado da Bahia, Brasil: análise dos últimos cinco anos. Revista DELOS, 2025; [em publicação].
GOMES RNS, et al. Tuberculose drogarresistente: desafios no controle e prevenção na atenção primária à saúde. Revista Contemporânea, 2025; 5(4): e8004.
KHALID M, et al. Bedaquiline and delamanid in the treatment of multidrug-resistant tuberculosis: a systematic review and meta-analysis. Lancet Infect Dis, 2024; 24(3): 245-257.
LEAL BS, et al. Caracterização epidemiológica da tuberculose em Teresina, Piauí – Brasil. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2020; (48): e788.
LIMA LV, et al. Tendência temporal da incidência de coinfecção tuberculose-HIV no Brasil, por macrorregião, Unidade da Federação, sexo e faixa etária, 2010-2021. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 2024; 33: e2023522.
LOPES FA, et al. Influência da cobertura de atenção básica e das visitas domiciliares na detecção de casos de tuberculose na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, 2014-2022. Cadernos de Saúde Pública, 2025; 41: e00056324.
MORAES AC, et al. Perfil epidemiológico dos casos de tuberculose no estado do Pará no período de 2018 a 2022. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2023; 5(5): 3899-3911.
PEGORETTI RR, et al. Alterações na composição corporal do indivíduo portador de tuberculose durante o tratamento: uma revisão da literatura. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024; 6(3): 2113-2133.
RABELO LDBC, et al. Estudo epidemiológico dos casos de coinfecção HIV/Tuberculose no Brasil entre os anos de 2019-2023. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024; 6(2): 2155-2166.
SILVA HRM, et al. Retrato epidemiológico da tuberculose drogarresistente no Brasil entre os anos de 2013 e 2023. Brazilian Journal of Health Review, 2025; 8(1): e77342.
SOUZA CO; BRONDANI DV. Estratégias diagnósticas, terapêuticas e desfechos da tuberculose em adultos numa unidade de referência em Goiás. Trabalho de Conclusão de Curso – Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia GO; 2025.
TASSINARI ER, et al. Métodos diagnósticos para tuberculose: uma revisão integrativa. BioSCIENCE, 2022; 80(S1): 8.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global tuberculosis report 2024. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240101531.
WOTALE TW, et al. Identifying risk factors for recurrent multidrug resistant tuberculosis based on patient’s record data from 2016 to 2021: retrospective study. Scientific Reports, 2024; 14: 23912.
ZHANG H, et al. Global burden of multidrug-resistant and extensively drug-resistant tuberculosis based on Global Burden of Disease study 2019 estimates. Infectious Diseases of Poverty, 2024; 13(1): 23.
