Google Acadêmico | Citações: 16429 | índice h: 32 | índice i10: 482
Abortamentos espontâneos em regiões de produção agrícola no Mato Grosso entre os anos de 2019 e 2023
PDF

Palavras-chave

Aborto
Saúde da mulher
Agrotóxicos
Estudos ecológicos

Como Citar

Abortamentos espontâneos em regiões de produção agrícola no Mato Grosso entre os anos de 2019 e 2023. (2026). Revista Eletrônica Acervo Saúde, 26(7), e23742. https://doi.org/10.25248/reas.e23742.2026

Copyright © | Todos os direitos reservados.

A revista detém os direitos autorais exclusivos de publicação deste artigo nos termos da lei 9610/98.

Reprodução parcial
É livre o uso de partes do texto, figuras e questionário do artigo, sendo obrigatória a citação dos autores e revista.

Reprodução total
É expressamente proibida, devendo ser autorizada pela revista.

Resumo

Objetivo: Identificar a relação entre o uso de agrotóxicos e a taxa média de aborto espontâneo no estado de Mato Grosso entre os anos de 2019 e 2023. Métodos: Trata-se de um estudo ecológico baseado em dados secundários de internações por abortos espontâneos e da estimativa de consumo de agrotóxicos por municípios. A taxa média de internação foi calculada considerando mulheres de 10 a 49 anos. Foi calculado a variação percentual anual dos casos. Resultados: Foram registrados 19.324 casos, a maioria entre mulheres pardas e na faixa etária de 20 e 29 anos. Observou-se variação percentual de aumento de 4,34%. Ainda, foram utilizados mais de 254 milhões de litros de agrotóxicos. Destacam-se entre os municípios que mais consumiram, Sorriso e Sapezal e as taxas de abortamento, chegaram até 60/10.000 mulheres. A distribuição espacial revelou uma sobreposição de maiores consumos e taxas em alguns municípios, sobretudo os que se encontram na região Centro-Sul, Sudeste e parte do Médio-Norte. Conclusão: Nota-se, a necessidade de adoção de medidas públicas que promovam territórios saudáveis e sustentáveis que protejam a saúde reprodutiva de mulheres residentes em municípios de grande produção agrícola.

PDF

Referências

AKGÖL J, PEKTAŞ MK. Investigation of the relationship between spontaneous abortion, serum pesticides, and polychlorinated biphenyl levels. Toxics, 2023;11(11): 884.

ALBADRANI MS, et al. Pesticide exposure and spontaneous abortion risk: a comprehensive systematic review and meta-analysis. Ecotoxicology and Environmental Safety, 2024; 284:117000.

ALVES C, et al. Early pregnancy loss (spontaneous abortion). In: STATPEARLS [Internet]. Treasure Island, FL: StatPearls Publishing, 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao abortamento: norma técnica. 2. ed., 2. reimp. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014. 60 p.

CARDOSO BB, et al. Aborto no Brasil: o que dizem os dados oficiais? Cadernos de Saúde Pública, 2020; 36: e00188718.

CASTELLI LS, et al. Exposição aos agrotóxicos em cidade de intensa atividade do agronegócio e desfechos gestacionais adversos. Journal Health NPEPS,2022;7(2):e6419.

CASTRO FP. Agrotóxicos no Pantanal: contaminação das águas e impactos na saúde e ambiente em Mato Grosso 2022. Cuiabá: Fase, 2022.

COHAIN JS, et al. Spontaneous first trimester miscarriage rates per woman among parous women with 1 or more pregnancies of 24 weeks or more. BMC Pregnancy and Childbirth, 2017; 17: 437.

CUENCA D. Pregnancy loss: consequences for mental health. Front Glob Womens Health, 2023;3:1032212.

DATASUS. Morbidade hospitalar do SUS. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sih/cnv/nrmt.def. Acesso: 08 de ago. 2025.

GERONA RR, et al. Glyphosate exposure in early pregnancy and reduced fetal growth: a prospective observational study of high-risk pregnancies. Environmental Health, 2022; 21:95.

AUGUSTO LGS [orgs]. Dossiê danos dos agrotóxicos na saúde reprodutiva [livro eletrônico: conhecer e agir em defesa da vida / organização Lia Giraldo da Silva Augusto.. [et al.]; editores Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. Rio de Janeiro: Ed. dos Autores, 2024.

INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS (IBAMA). Relatórios de comercialização de agrotóxicos no Brasil: dados por estado. Brasília, DF: IBAMA, 2022.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Produção agrícola municipal. Disponível em:https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/pam/tabelas. Acesso em: 10 ago. 2025.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Brasil. Panorama. Mato Grosso. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mt/panorama. Acesso: 15 jul. 2025.

NSTITUTO MATOGROSSENSE DE ECONOMIA AGROPECUÁRIA (IMEA). Mapa das macrorregiões do IMEA; 2017. Disponível em: https://www.imea.com.br/imea-site/view/uploads/metodologia/justificativamapa.pdf. Acesso: 15 ago. 2025.

LEAL MC, et al. A cor da dor: iniquidades raciais na atenção pré-natal e ao parto no Brasil. Cad Saúde Pública, 2017;33 (supl. 1):e00078816.

MA Y, et al. Prenatal pesticide exposure and adverse reproductive outcomes: epidemiological evidence and mechanistic insights. J Hazard Mater, 2025;494:38792.

MORADINAZAR M, et al. Lifetime prevalence of abortion and risk factors in women: evidence from a cohort study. Journal of Pregnancy, 2020:4871494.

MORAS FILHO OB. Aborto: classificação, diagnóstico e conduta. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2018. (Protocolo FEBRASGO – Obstetrícia, n. 21, Comissão Nacional Especializada em Assistência Pré-Natal).

OLIVEIRA AMVLC, SANTOS N. dos. Protagonismo feminino no agronegócio: mecanismos de inserção no mercado de trabalho. RBDG, 2023;8(2):37–57.

OLIVEIRA MTS, et al. Factors associated with spontaneous abortion: a systematic review. Rev Bras Saude Mater Infant, 2020;20(2):361–372.

PACHECO LF, et al. As influências da raça/cor nos desfechos obstétricos e neonatais desfavoráveis. Saúde Debate, 2018; 42(116):125–137.

PANIS C, et al. Evidence on human exposure to pesticides and the occurrence of health hazards in the Brazilian population: a systematic review. Front Public Health, v. 9, p. 787438, 2022.

PIGNATI WA, et al. Distribuição espacial do uso de agrotóxicos no Brasil: uma ferramenta para a Vigilância em Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 2017:22(10):3281–3293.

PIGNATI WA (org.). Desastres sócio-sanitário-ambientais do agronegócio e resistências agroecológicas no Brasil. 1. ed. São Paulo: Outras Expressões, 2021.

SETTIMI L, et al. Spontaneous abortion and maternal work in greenhouses. Am J Ind Med, 2008; 51(4):290–295.

SILVA DOD, et al. Exposure to pesticides and acute intoxication in a region of intense agricultural production in Mato Grosso, Brazil, 2013. Epidemiol Serv Saude, 2019; 28(3):e2018456.

ULIANA MD, et al. Internações por aborto no Brasil, 2008–2018: estudo ecológico de série temporal. Epidemiol Serv Saúde, 2022; 31(1): e2021341.