Resumo
Objetivo: Investigar a percepção de adolescentes quilombolas do município de Abaetetuba, estado do Pará, sobre a gravidez não planejada, considerando seus contextos socioculturais e de vulnerabilidade social. Métodos: Estudo de abordagem mista, predominantemente qualitativa, de caráter exploratório-descritivo, realizado como estudo de caso em comunidades quilombolas de Abaetetuba (PA). Participaram 68 mulheres que vivenciaram a gravidez na adolescência. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário sociodemográfico e entrevistas semiestruturadas. A análise dos dados quantitativos foi realizada com estatística descritiva e inferencial no software R, enquanto os dados qualitativos foram submetidos à análise temática de conteúdo. Resultados: Observou-se predominância de jovens com ensino médio, renda familiar de até dois salários-mínimos e em união estável. A gravidez precoce foi percebida majoritariamente como limitadora de oportunidades, com impacto negativo na continuidade escolar, embora também seja culturalmente aceita por parcela das participantes. A rede de apoio concentrou-se na família, evidenciando fragilidades no suporte institucional. Conclusão: A gravidez precoce em comunidades quilombolas é multifatorial e demanda políticas públicas intersetoriais e culturalmente sensíveis. Como limitação, destaca-se o recorte geográfico restrito a um único município.
Referências
ALVES JE. Transição demográfica e fecundidade no Brasil, Revista Brasileira de Estudos Populacionais, 2014; 31(2): 351-368.
BARBOSA RM, VILLELA WV. Juventude, sexualidade e reprodução, São Paulo: Editora Unesp, 2012; 250p.
BARDIN L. Análise de conteúdo, São Paulo: Edições 70, 2016; 280p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde de adolescentes e jovens: fundamentos para a prática, Brasília: Ministério da Saúde, 2020; 120p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes nacionais para a atenção integral à saúde de adolescentes e jovens, Brasília: Ministério da Saúde, 2010; 98p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: princípios e diretrizes, Brasília: Ministério da Saúde, 2011; 86p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, Brasília: Ministério da Saúde, 2017; 74p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde sexual e saúde reprodutiva, Brasília: Ministério da Saúde, 2013; 102p.
COSTA MCO, et al. Gravidez na adolescência: determinantes e repercussões, Jornal de Pediatria, 2016; 92(3): 230-236.
FONSECA SC, et al. Vulnerabilidade social e saúde reprodutiva, Cadernos de Saúde Pública, 2017; 33(4): e00123415.
GIL AC. Métodos e técnicas de pesquisa social, 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019; 365p.
GOMES R, et al. Saúde sexual de adolescentes em contextos vulneráveis, Ciência & Saúde Coletiva, 2020; 25(7): 2745-2756.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Síntese de indicadores sociais, Rio de Janeiro: IBGE, 2019; 210p.
MARTINS AL, et al. Juventude, raça e desigualdade social, Revista Brasileira de Ciências Sociais, 2020; 35(103): 1-18.
MELO RA, et al. Gravidez na adolescência e seus impactos sociais, Revista de Saúde Pública, 2020; 54: 1-10.
MINAYO MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde, 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014; 400p.
MINAYO MCS, GUALHANO L. Educação sexual e políticas públicas no Brasil, Ciência & Saúde Coletiva, 2022; 27(5): 1891-1900.
MORAES-PARTELLI AN, et al. Gravidez na adolescência em populações vulneráveis, Revista Brasileira de Enfermagem, 2021; 74(2): e20200345.
NUNES JA, et al. Racismo estrutural e políticas de saúde, Saúde em Debate, 2020; 44(esp. 2): 55-68.
OPAS. Organização Pan-Americana da Saúde. Acelerar o progresso rumo à redução da gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe, Washington, DC: OPAS, 2018; 80p.
PAIVA V, et al. Educação sexual e prevenção da gravidez precoce, Interface, 2018; 22(66): 1101-1112.
SANTOS AR, et al. Políticas públicas e saúde da população quilombola, Saúde e Sociedade, 2020; 29(3): e190678.
SANTOS AR, MORAES LP. Identidade, território e saúde em comunidades quilombolas, Revista Katálysis, 2020; 23(2): 345-356.
SILVA ML. Gravidez precoce e desigualdades sociais no Brasil, Revista Brasileira de Estudos Populacionais, 2021; 38: 1-15.
SILVA RA, et al. Acesso aos serviços de saúde por adolescentes, Revista Brasileira de Enfermagem, 2019; 72(4): 1003-1010.
SOUZA ER, et al. Determinantes sociais da saúde de adolescentes, Ciência & Saúde Coletiva, 2019; 24(4): 1341-1352.
UNICEF. Fundo das Nações Unidas para a Infância. Situação da adolescência brasileira, Brasília: UNICEF, 2019; 150p.
VIEIRA EM. Gravidez na adolescência: desafios para a saúde pública, Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2017; 39(2): 58-64.
WAISELFISZ JJ. Juventude, violência e desigualdade, Brasília: Flacso Brasil, 2014; 200p.
WHO. World Health Organization. Adolescent pregnancy: issues in adolescent health and development, Geneva: WHO, 2014; 45p.
WHO. World Health Organization. Global accelerated action for the health of adolescents (AA-HA!), Geneva: WHO, 2017; 112p.
YIN RK. Estudo de caso: planejamento e métodos, 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015; 320p.
