Resumo
Objetivo: Compreender o cuidado prestado à pessoa com estomia de eliminação sob a perspectiva de enfermeiros da Atenção Primária à Saúde e de pessoas com estomia residentes em municípios sem Serviço de Atenção à Saúde da Pessoa Ostomizada. Métodos: Estudo qualitativo realizado com 11 enfermeiros da Atenção Primária à Saúde e nove pessoas com estomia de eliminação de dois municípios de Minas Gerais. Os dados foram coletados por entrevistas semiestruturadas e analisados pela técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados: Foram identificadas duas categorias temáticas. Os enfermeiros relataram fragilidades na qualificação profissional, na articulação da rede de atenção e no conhecimento dos serviços de referência e da legislação específica. As pessoas com estomia apontaram insuficiência de orientações, dificuldades de acesso e insatisfação com os insumos fornecidos, além do desconhecimento de seus direitos. Também foram relatadas experiências positivas relacionadas ao acolhimento e acompanhamento pelos serviços de saúde. Conclusão: As percepções de enfermeiros e pessoas com estomia evidenciaram fragilidades no cuidado relacionadas à qualificação profissional, à organização da rede de atenção e ao acesso a informações e insumos. A Atenção Primária à Saúde foi reconhecida como importante espaço de apoio e acompanhamento dessa população.
Referências
VINUTO J. A amostragem em bola de neve na pesquisa qualitativa: um debate em aberto. Temáticas, 2014; 22(44): 203-220.
GAMA AH, ARAÚJO EA. Estomias intestinais: aspectos conceituais e técnicos. In: Santos VLCG, Cesaretti IUR, organizadores. Assistência em estomaterapia: cuidando do ostomizado. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2001; 39-54.
HEY AP, NASCIMENTO LA. A pessoa com estomia e o fornecimento de equipamentos coletores e adjuvantes pelo Sistema Único de Saúde. Estima – Revista Brasileira de Estomaterapia, 2017; 15(2): 92-99.
POLIT DF, BECK CT. Fundamentos de pesquisa em enfermagem: avaliação de evidências para a prática da enfermagem. 9. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.
ALIEVI MF, et al. Atenção à saúde do estomizado na rede de atenção à saúde na perspectiva de enfermeiros. Enferm Foco, 2023; 14: e202365.
CARNEIRO MSM, et al. Avaliação do atributo coordenação da Atenção Primária à Saúde: aplicação do PCATool a profissionais e usuários. Saúde em Debate, 2014; 38: 279-295.
CERQUEIRA LCN, et al. Caracterização clínica e sociodemográfica de pessoas estomizadas atendidas em um centro de referência. Rev Rene, 2020; 21: e42145.
FERNANDES RM, et al. Perfil da clientela estomizada residente no município de Ponte Nova, Minas Gerais. Rev Bras Coloproctol., 2011; 30(4): 385-392.
FERREIRA L, et al. Avaliação da política de educação permanente pelos profissionais de uma capital no sudeste do Brasil. Rev Enferm Atenção Saúde, 2024; 13(3).
FREITAS JPC, et al. Caracterização da clientela e avaliação de serviço de atenção à saúde da pessoa com estomia de eliminação. Estima – Revista Brasileira de Estomaterapia, 2018; 16: e0918.
FREITAS LS, et al. Orientações de enfermagem para pessoas com estomia intestinal em cenário extra-hospitalar: scoping review. Rev Enferm UERJ, 2023; 31(1): e68677.
LAZARINO MSA, et al. Apoio matricial como estratégia para o fortalecimento da saúde do trabalhador na atenção básica. Rev Bras Saúde Ocup., 2019; 44: e23.
LEFEVRE AMC, et al. A utilização da metodologia do discurso do sujeito coletivo na avaliação qualitativa dos cursos de especialização “Capacitação e Desenvolvimento de Recursos Humanos em Saúde-CADRHU”, São Paulo – 2002. Saúde Soc., 2003; 12(2): 68-75.
MARQUES ADB, et al. Tecendo redes: itinerários terapêuticos de pessoas com estomia. Estima – Revista Brasileira de Estomaterapia, 2020; 18: e2020.
SASAKI VDM, et al. Autocuidado de pessoas com estomia intestinal: para além do procedimental rumo ao alcance da reabilitação. Rev Bras Enferm., 2021; 74(1): e20200088.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia Política Nacional de Atenção Básica – Módulo 1: integração atenção básica e vigilância em saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Guia de Atenção à Saúde da Pessoa com Estomia. 1. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2021.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000, e nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República; 2004.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República; 2015.
GAMA AH, ARAÚJO EA. Estomias intestinais: aspectos conceituais e técnicos. In: Santos VLCG, Cesaretti IUR, organizadores. Assistência em estomaterapia: cuidando do ostomizado. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2001; 39-54.
MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Linha de cuidados da pessoa estomizada. Belo Horizonte: SES-MG; 2015.
POLIT DF, BECK CT. Fundamentos de pesquisa em enfermagem: avaliação de evidências para a prática da enfermagem. 9. ed. Porto Alegre: Artmed; 2019.
