Resumo
Objetivo: Os primatas não humanos (PNHs) apresentam manifestações clínicas semelhantes às observadas em humanos infectados pelo vírus da febre amarela (VFA), tornando-se modelos relevantes para pesquisas. Essa Revisão Integrativa da Literatura (RIL) buscou sistematizar o conhecimento existente sobre o uso de PNHs em estudos da doença e fornecer subsídios para futuras pesquisas. Métodos: Foram analisados artigos publicados entre 2020 e 2024, disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Então foram classificados por níveis de evidência e avaliados no software IRAMuTeQ (versão 0.7 alpha 2), com uso de Classificação Hierárquica Descendente e Análise de Similitude. Resultados: Dos 89 trabalhos identificados, 11 preencheram os critérios de inclusão, publicados em inglês em seis países. A análise de similitude destacou a centralidade dos termos “vírus da febre amarela” e “primata não humano”, evidenciando sua relevância para vigilância e monitoramento. O agrupamento de “surto”, “Orthoflavivirus” e “Brasil” indicou o país como epicentro de pesquisas, favorecido pela alta biodiversidade e contato entre ambientes urbanos e silvestres. A baixa cobertura vacinal surge como fator de risco para novas cepas e reemergência do vírus.. Considerações finais: Os PNHs são essenciais para compreender a patogênese viral, fortalecer a vigilância epidemiológica e orientar estratégias de controle da febre amarela.
Referências
ABREU FVSD, et al. Survey on non-human primates and mosquitoes does not provide evidences of spillover/spillback between the urban and sylvatic cycles of yellow fever and Zika viruses following severe outbreaks in southeast Brazil. Viruses, 2020; 12(4), 364.
ALMEIDA PR, et al. Aedes-borne orthoflavivirus infections in neotropical primates–Ecology, susceptibility, and pathogenesis. Experimental Biology and Medicine, 2023; 248(22), p. 2030-2038.
AMANNA IJ, et al. Development of a hydrogen peroxide-inactivated vaccine that protects against viscerotropic yellow fever in a non-human primate model. Cell Reports Medicine, 2024; 5(7).
ANDRADE MDS, et al. Real-time genomic surveillance during the 2021 re-emergence of the yellow fever virus in Rio Grande do Sul State, Brazil. Viruses, 2021; 13(10), 1976.
BARRETT AD, MONATH TP. Epidemiology and ecology of yellow fever virus. Adv. Virus Res., 2003; 61, 291–315.
BRASIL. Ministério da Saúde. Febre Amarela. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/f/febre- amarela#:~:text=No%20ciclo%20silvestre%2C%20os%20primatas,apresenta%2Dse%20como%20h ospedeiro%20acidental. Acesso em: 19 mar. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Guia de vigilância de epizootias em primatas não humanos e entomologia aplicada à vigilância da febre amarela. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_epizootias_primatas_entomologia.pdf. Acesso em: 11 mar. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde: volume único [recurso eletrônico]. 3ª. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_3ed.pdf. Acesso em: 11 mar. 2025.
CANUTO LT, OLIVEIRA AAS. Métodos de revisão bibliográfica nos estudos científicos. Psicol. rev., 2020; 26(1), 83-102.
CUNHA MS, et al. Possible non-sylvatic transmission of yellow fever between non-human primates in São Paulo city, Brazil, 2017-2018. Scientific Reports, 2020; 10(1), 15751.
FERNANDES NCCA, et al. Differential yellow fever susceptibility in new world nonhuman primates, comparison with humans, and implications for surveillance. Emerging Infectious Diseases, 2021; 27(1), 47.
FERREIRA MS, et al. Experimental yellow fever in the squirrel monkey (Saimiri spp.): hematological, biochemical, and immunological findings. Viruses, 2023; 15(3), 613.
GOES JJ, et al. Yellow fever transmission in non-human primates, Bahia, Northeastern Brazil. PLoS Neglected Tropical Diseases, 2020; 14(8): e0008405.
GUIMARÃES A, et al. Epidemiologic profile and histopathological findings in Neotropical Primates during and after the yellow fever outbreak in Espírito Santo, Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 2022; 94: e20211229.
MARES-GUIA MAMD, et al. Yellow fever epizootics in non-human primates, Southeast and Northeast Brazil (2017 and 2018). Parasites & Vectors, 2020; 13, 1-8.
MENDES KDS, et al. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto-Enfermagem, 2008; 17, 758-764.
MUKHERJEE P, et al. Role of Animal Models in Biomedical Research: A Review. Laboratory Animal Research, 2022; 38(1), 18.
ROMAN AR, et al. Revisão Integrativa de Pesquisa Aplicada à Enfermagem. Cogitare Enfermagem, 1998; 3(2), 109-12.
SACCHETTO L, et al. Neighbor danger: Yellow fever virus epizootics in urban and urban-rural transition areas of Minas Gerais state, during 2017-2018 yellow fever outbreaks in Brazil. PLoS Neglected Tropical Diseases, 2020; 14(10): e0008658.
SILVA NIO, et al. Recent sylvatic yellow fever virus transmission in Brazil: the news from an old disease. Virology Journal, 2020; 17, 1-12.
