Resumo
Objetivo: Relatar a experiência de um enfermeiro, atuante em Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, com a transição dos registros manuais para o formato digital na vigilância epidemiológica de colonização por microrganismos multirresistentes em pacientes com risco de infecção relacionada à assistência à saúde. Relato da experiência: Inicialmente, observou-se que os arquivos e registros da comissão, incluindo notificações de colonização por microorganismos multirresistentes, eram majoritariamente manuscritos e arquivados em impressos, apesar da paulatina informatização iniciada em 2024. Na intervenção, um procedimento operacional padrão para a coleta sistemática de swabs nasais e retais de pacientes em terapia intensiva, transferidos de outras instituições ou com internação superior a sete dias. Todos os resultados dos rastreios realizados foram inseridos em planilhas Excel®. Após oito meses, o monitoramento retrospectivo desses registros demonstrou que os microrganismos mais prevalentes na rotina de vigilância incluíam: Enterobacteriacea e resistentes a carbapenêmicos, Enterococcus resistentes à vancomicina; Pseudomonas aeruginosa e variantes resistentes; Staphylococcus aureus resistentes à meticilina e Acinetobacter baumannii. Considerações finais: A implementação de coleta sistemática de rastreio por swab conjugada à digitalização dos registros demonstrou ser uma estratégia efetiva para a identificação precoce de casos, prevenção de surtos, melhoria contínua dos processos e fortalecimento da segurança do paciente.
Referências
BHARADWAJ A, et al. Multidrug-Resistant Bacteria: Their Mechanism of Action and Prophylaxis. BioMedResearchInternational, 2022. 5419874.
BONCEA EE, et al. Association between intrahospital transfer and hospital-acquired infection in theelderly: a retrospective case-controlstudy in a UK hospital network. BMJ quality&safety, 2021; 30(6), 457–466.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Prevenção de infecções por microrganismos multirresistentes em serviços de saúde – Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde/Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Brasília: Anvisa, 2021.
BRASIL. Manual de Microbiologia Clínica para o Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Módulo 4: Procedimentos Laboratoriais: da requisição do exame à análise microbiológica e laudo final. Brasília, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2616/MS/GM, de 12 de maio de 1998. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 1998.
BUENO JVC, set al. Educação permanente em saúde em prevenção e controle das infecções em unidade de emergência. Ver Enferm Atual In Derme. 2021, 95(36): e-021175.
CHIAVONE FB et al. Tecnologias utilizadas para apoio ao processo de enfermagem: revisão de escopo. Acta Paul Enferm. 2021;34:eAPE01132.
DOUMA MC, et al. Impact of Implementing Electronic Nursing Records on Quality and Safety Indicators in Care. The Libyan journal of medicine, 2024, 19(1), 2421625.
GUIMARÃES NS, et al. Autocoleta de swab nasofaríngeo e teste molecular em pool testing como estratégias para detecção de coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2): viabilidade em estudantes de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, 2021. Epidemiologia e Serviços de Saúde, Brasília, 2022; 31(1):e2021409, 2022.
HARTMAN RCB, KAKITANI DH, SAWADA AT. A prevalência bacteriana de colonização versus infecção de pacientes internados em UTI, Rev. UNINGÁ, Maringá. 2018, 55(s1):97-105.
MARTINS APS, et al. Association between multidrug-resistant bacteria and outcomes in intensive care unit patients: a non-interventional study. Front. Public Health, 2024 11:1297350.
MARTINS APS. Análise de parâmetros relevantes em culturas de vigilância epidemiológica de pacientes internados no centro de tratamento intensivo e colonizados por microrganismos multirresistentes. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas. Programa de Pós Graduação em Microbiologia. 2022.
NOVAES SANTOS D, et al. Coleta de exame com swab na região anal e vaginal em gestantes. Revista Remecs. 2019; 2:45.
OLIVEIRA RD, BUSTAMANTE PFO, BESEN BAMC. Infecções relacionadas à assistência à saúde no Brasil: precisamos de mais do que colaboração. Rev Bras Ter Intensiva. 2022;34(3):313-315.
PINTO FERREIRA VL. Atuação do enfermeiro no controle de infecção hospitalar e segurança do paciente. Saúde Coletiva (Barueri). 2021; 1(65), 6080–6089.
RODRIGUES LGS, et al. O trabalho da enfermagem em um serviço de controle de infecção hospitalar (SCIH): relato de experiência. Braz. J. Hea. Rev., Curitiba. 2020, 3(4): 9959-9968.
SALES FA, et al. Tecnologias educacionais para prevenção e controle de infecções em serviços de saúde: revisão de escopo. Revista Prevenção De Infecção E Saúde, 2025, 11(1).
SANTANA ES, et al. Resistência bacteriana em ambientes hospitalares: principais causas e impactos na saúde.Studies in Multidisciplinary Review, Curitiba, 2024, 5(2):01-13.
SANTOS LL, et al. Healthcare infection: methods and strategies implemented in Brazilian hospital surveillance from 2018 to 2023. MOJ Public Health, 2025, 14:52-57.
VAN DD, PATERSON DL. Bactérias multirresistentes na comunidade: uma atualização. Infect Dis Clin North Am. 2020 dez; 34 (4):709-722.
VILCHES TN, et al. The role ofintraandinter-hospitalpatienttransfer in thedisseminationofheathcare-associated multidrug-resistant pathogens. Epidemics, 2019; 26:104–115.
