Resumo
Objetivo: Analisar o rastreamento ao câncer de colo de útero e o acompanhamento das alterações no exame citopatológico em uma Unidade Básica de Saúde do município do Rio de Janeiro/RJ. Métodos: Trata-se de um estudo transversal retrospectivo e exploratório, que utilizou dados primários e secundários de relatórios de prontuário eletrônico de uma Unidade Básica de Saúde do município do Rio de Janeiro, RJ, Brasil, com recorte temporal de 2011 a 2018. Os dados foram submetidos a análise estatística descritiva e teste de qui-quadrado de Pearson, através do software IBM® SPSS®. Resultados: Foram realizados 6.933 exames, com 77,6% em mulheres na idade alvo. A razão de rastreamento foi de 0,13 exames/mulher/ano, abaixo do preconizado. A maioria das alterações foi benigna, contudo, lesões precursoras concentraram-se em mulheres de 35 a 49 anos residentes em áreas com vulnerabilidade socioeconômica (p<0,001). O tempo médio de espera para acesso à especialidade foi de 34 dias, e 19% das mulheres aguardaram mais de 60 dias. Conclusão: Os achados indicam um modelo de rastreamento oportunístico-campanhista insuficiente para alterar o perfil de morbimortalidade associado ao câncer de colo uterino no cenário estudado, revelando baixa cobertura, iniquidades socioeconômicas e barreiras estruturais no acesso à atenção especializada.
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