Resumo
Objetivo: Analisar a tendência temporal e os fatores associados ao abandono do tratamento da tuberculose no Brasil. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação. A tendência do abandono foi avaliada pelas proporções anuais entre 2002-2022, analisadas por gráfico de controle. Para identificar os fatores associados ao abandono, período 2016-2022, estimaram-se odds ratios (OR), intervalo de confiança 95%, nível de significância 5%, considerando variáveis sociodemográficas, de vulnerabilidade social e clínicas-comportamentais. Resultados: Observou-se aumento nas taxas de abandono do tratamento, de 11,21 por 100 novos casos em 2002 para 16,45 em 2022. Indivíduos com menos de 65 anos apresentaram maior chance de abandono, especialmente entre 25 e 34 anos (22,4%). O sexo masculino também apresentou maior probabilidade (OR=1,49). Maiores proporções ocorreram entre aqueles com menor escolaridade e em pretos (24,0%). A região Nordeste apresentou menor chance de abandono. Situação de rua esteve associada ao abandono (57,7%), enquanto pessoas privadas de liberdade apresentaram menor chance (14,5%). Indivíduos com AIDS, doença mental, uso de drogas ilícitas e tabagismo apresentaram maior probabilidade de abandono. Conclusão: O abandono do tratamento da tuberculose associa-se a vulnerabilidades sociais e clínicas, reforçando a necessidade de estratégias direcionadas à adesão terapêutica.
Referências
ALVES KKAF, et al. Factors associated with recovery and abandonment of tuberculosis treatment in individuals followed in reference health units. Rev Bras Epidemiol., 2020;23:e200079.
BAGCCHI S. WHO's Global Tuberculosis Report 2022. Lancet Microbe, 2023; 4(1):e20.
BERRA TZ, et al. Fatores relacionados, tendência temporal e associação espacial do abandono de tratamento para tuberculose em Ribeirão Preto-SP. Revista Eletrônica de Enfermagem, 2020; 22: 58883.
BEZERRA WSP et al. Risk Stratification and Factors Associated with Abandonment of Tuberculosis Treatment in a Secondary Referral Unit. Patient Prefer Adherence,2020;14:2389-2397.
BRASIL. Ministério da Saúde Brasil Livre da Tuberculose: Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública: estratégias para 2021-2025. 2021 Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/tuberculose/brasil-livre-da-tuberculose/view#:~:text=O%20Plano%20tem%20como%20objetivo,per%C3%ADodo%20de%202021%20a%202025. Acessado em 10 de abril de 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Tuberculose. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2023/boletim-epidemiologico-de-tuberculose-numero-especial-mar.2023/view. Acessado em 10 de abril de 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de Tuberculose. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/especiais/2024/boletim-epidemiologico-de-tuberculose-numero-especial-mar-2024.pdf/view. Acessado em 10 de abril de 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico.Brasil Livre da Tuberculose: evolução dos cenários epidemiológicos e operacionais da doença. 2019. Disponível em: https://central3.to.gov.br/arquivo/437746/. Acessado em 20 de janeiro de 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Tuberculose. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/acesso-a-informacao/casos-de-tuberculose-desde-2001-sinan/. Acessado em: 15 de setembro de 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância epidemiológica da tuberculose: Análise de indicadores operacionais e epidemiológicos a partir da base de dados do Sinan versão 5.0. Disponível em:
https://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Tuberculose/Apostila_Curso_Sinan_2016.pdf. Acessado em 10 de abril de 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde.Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: uma política para o SUS. 2017. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_populacao_negra_3d.pdf. Acessado em 03 de fevereiro de 2025.
CAMPOS AC, et al. Prevalência do Abandono no Tratamento de Tuberculose por Sexo e Faixa Etária nas Regiões Brasileiras entre 2013 e 2023. Brazilian Journal of Health Review, 2024;7(9):1-12.
COLA JP, et al. Fatores associados ao abandono do tratamento da tuberculose: um estudo transversal entre 2014 e 2019. J Hum Growth Dev.,2024;34(2):286-295.
FERREIRA BMA, et al. Avaliação dos principais motivos de desistência do tratamento da tuberculose: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Educação, Saúde e Bem Estar, 2022;1(2):113-134.
FERREIRA DP, et al. Abandono de tratamento anterior e caso de tuberculose multidroga resistente em uma instituição terciária na cidade do Rio de Janeiro. Rev Fun Care Online, 2019;11(4): 962-967.
HINO P, et al. Impacto da COVID-19 no controle e reorganização da atenção à tuberculose. Acta Paul Enferm., 2021;34:eAPE002115.
JONES B. Avoiding Data Pitfalls: How to Steer Clear of Common Blunders When Working with Data and Presenting Analysis and Visualizations. Hoboken: John Wiley & Sons, Inc. 2020.
JUSTO MT, et al. Associação entre tuberculose e consumo de drogas lícitas e ilícitas. Enfermagem Brasil, 2018;17(5):460–470.
KATENDE-KYENDA LN, Determinants of Non-Adherence to Anti-Tuberculosis Treatment in a Public Primary Healthcare Clinic in South Africa. Int J Environ Res Public Health,2025;22(8):22:1209.
LEE GE, et al. Impact of mental disorders on active tuberculosis treatment outcomes: a systematic review and meta-analysis. Int J Tuberc Lung Dis.,2020; 24(12): 1279–1284.
LIMA SANTOS MH, RAPOSO LM. Risk factors associated with abandonment of tuberculosis treatment in the state of Rio de Janeiro, Brazil, 2015-2019. Rev. Bras. Pesq. Saúde, 2021;23(20):29-38.
LUCENA LA, et al. Factors associated with the abandonment of tuberculosis treatment in Brazil: A systematic review. Rev Soc Bras Med Trop., 2023; 56: e0155-2022
MACEDO LR, et al. Populações vulneráveis e o desfecho dos casos de tuberculose no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 2021;26(10):4749-4759.
MARIANO S, et al. A cobertura da Atenção Básica interfere no controle da Tuberculose Pulmonar? Saúde e Pesquisa, 2022; 15(2):e-10604.
MORATO FILHO PC, et al. Fatores de risco e perfil de abandono do tratamento da tuberculose em uma cidade brasileira. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2023; 23(3): e11868.
POERSCH K, COSTA JSD. Fatores associados ao abandono do tratamento da tuberculose: estudo de casos e controles. Cad. Saúde Colet., 2021;29(4)485-495.
R CORE TEAM. R: a language and environment for statistical computing. Vienna: R Foundation for Statistical Computing, 2022.
RIBEIRO CS, et al. Adesão e abandono ao tratamento da tuberculose: uma revisão de literatura. Revista Uningá, 2023;60:eUJ4495.
RODRIGUES MW, MELO AGNC. Tuberculose e escolaridade: Uma revisão da literatura. Revista Internacional de Apoyo a la Inclusión, Logopedia, Sociedad y Multiculturalidad, 2018;4(2):1-12.
RODRIGUES OA, et al. Factors associated with unsuccessful tuberculosis treatment: Urgency of approach in vulnerable populations. PLoS Negl Trop Dis., 2023;17(5):e0011685.
SÁ AMM, et al. Causas de abandono do tratamento entre portadores de tuberculose. Rev Soc Bras Clin Med.,2017;15(3):155-60.
SOEIRO VMS, et al. Abandono do tratamento da tuberculose no Brasil, 2012-2018: tendência e distribuição espaço-temporal. Ciência & Saúde Coletiva, 2022; 27(3):825–836.
SOLEDADE MP, et al. Tuberculose na infância e adolescência: prevalência e fatores associados ao abandono do tratamento. Cad. Saúde Pública, 2024; 40(9):e00158323.
SOUSA GJB, et al. Prevalence and associated factors of tuberculosis treatment abandonment. Rev Esc Enferm USP,2021;55:e03767.
VALENÇA MS, et al. O processo de detecção e tratamento de casos de tuberculose em um presídio. Ciência & Saúde Coletiva, 2016; 21(7):2111–2122.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global Tuberculosis Report. 2020. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240013131. Acessado em 10 de abril de 2024.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global Tuberculosis Report. 2022.. Disponível em: https://apps.who.int/iris/rest/bitstreams/1474924/retrieve. Acessado em 10 de abril de 2024.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global Tuberculosis Report. 2024. Disponível em: https://www.who.int/teams/global-tuberculosis-programme/tb-reports/global-tuberculosis-report-2024. Acessado em 20 de janeiro de 2025.
