Google Acadêmico | Citações: 16429 | índice h: 32 | índice i10: 482
Perfil psicoemocional pós-abortamento: análise da abordagem institucional de um hospital público do Distrito Federal
PDF

Palavras-chave

Pós-abortamento
Acolhimento psico-emocional
Atenção humanizada

Como Citar

Perfil psicoemocional pós-abortamento: análise da abordagem institucional de um hospital público do Distrito Federal. (2026). Revista Eletrônica Acervo Saúde, 26(3), e23098. https://doi.org/10.25248/reas.e23098.2026

Copyright © | Todos os direitos reservados.

A revista detém os direitos autorais exclusivos de publicação deste artigo nos termos da lei 9610/98.

Reprodução parcial
É livre o uso de partes do texto, figuras e questionário do artigo, sendo obrigatória a citação dos autores e revista.

Reprodução total
É expressamente proibida, devendo ser autorizada pela revista.

Resumo

Objetivo: Definir a abordagem institucional com foco no perfil psicoemocional pós-abortamento em pacientes de um hospital público do Distrito Federal, identificando lacunas no acolhimento e na assistência humanizada. Métodos: Estudo transversal, retrospectivo e qualitativo com 81 mulheres (18 - 40 anos) atendidas por abortamento entre 2023 e 2025. A coleta de dados incluiu prontuários eletrônicos e questionário anônimo sobre a abordagem emocional da equipe e o perfil profissional da equipe assistente. Estudo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Não se observou diferença significativa entre as idades, sendo a menos frequente abaixo de 24 anos (17,3%). Constatou-se que 80,5% das pacientes não receberam suporte emocional adequado. Entre a minoria que recebeu acolhimento (16,9%), a assistência foi distribuída entre enfermeiros, médicos e técnicos de enfermagem, sem a prevalência de um perfil profissional específico de destaque. Conclusão: Há evidente fragilidade na atenção psicoemocional, demonstrando que o abortamento exige suporte emocional além do manejo clínico. É necessário aprofundar o tema em políticas públicas e expandir ambulatórios especializados para garantir o acompanhamento integral dessas pacientes no Sistema Único de Saúde.

PDF

Referências

AGOSTINHO A, et al. Mulher em situação de abortamento: um olhar de uma equipe de enfermagem. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2022; 15: e10790.

ALVES MTSSB, et al. Atenção ao aborto no Sistema Único de Saúde no Nordeste Brasileiro: a estrutura dos serviços. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil. 2014; 14(3):229-39.

ALVES S, ROCHA DN. SUS atende 9 de cada 10 internações por aborto. Gênero e Número, 31 out. 2023. Disponível em: https://www.generonumero.media/reportagens/sus-internacoes-aborto/. Acesso em: 7 jul. 2025.

ANJOS KF, et al. Aborto e saúde pública no Brasil: reflexões sob a perspectiva dos direitos humanos. Saúde debate. 2013; 37(98):504-15.

AQUINO EML, et al. Qualidade da atenção ao aborto no Sistema Único de Saúde do Nordeste brasileiro: o que dizem as mulheres? Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 7, p. 1765-1776, 2012.

BARBOSA ASSF, et al. Representação dos profissionais da saúde pública sobre o aborto e as formas de cuidado e acolhimento. Revista SPAGESP, Ribeirão Preto, v. 13, n. 2, p. 44-55, 2012.

BRASIL. Lei nº 15.126, de 28 de abril de 2025. Dispõe sobre a atenção humanizada como princípio no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF: Presidência da República, 2025a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/l15126.htm. Acesso em: 06 jan. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. 05/08 – Dia Nacional da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/?p=3261. Acesso em: 20 maio 2025b.

BRASIL. Ministério da Saúde. Magnitude do Aborto no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/magnitude_aborto_brasil.pdf.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção técnica para prevenção, avaliação e conduta nos casos de abortamento. 1. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.

BRITO RCF, et al. Perfil sociodemográfico e reprodutivo de mulheres com complicações do aborto em hospital no Recife. Esc Anna Nery. 2013;17(3):491-5.

DINIZ D, et al. Pesquisa Nacional de Aborto 2016. Revista Ciência & Saúde Coletiva, 2017; 22(2): 653.

FARIA DSC, et al. As perspectivas dos direitos humanos sobre aborto e saúde pública no Brasil: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2021; 13(12): e9297.

LIMA LM, et al. Cuidado humanizado às mulheres em situação de abortamento: uma análise reflexiva. Revista de Enfermagem UFPE, 2017; 11(12): 5074-5078.

LUPEPSA TA, AZEVEDO SA. Saúde mental da mulher frente ao aborto espontâneo: uma revisão integrativa. Revista Saúde e Meio Ambiente, Três Lagoas, v. 12, n. 1, p. 63-71, 2021.

MENDONÇA COR, CUNHA GF. O impacto do aborto na saúde mental das mulheres: revisão integrativa. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, 2025; 19: e082568.

MOREIRA EFC, et al. Impacto psiquiátrico do aborto em mulheres com diagnóstico de câncer ginecológico. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024; 6(11): 4297-4323.

NOMURA RMY, et al. Depressão, aspectos emocionais e sociais na vivência do aborto: comparação entre duas capitais brasileiras. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 57, n. 6, p. 652-657, 2011.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE(OMS). Abortion care guideline. Genebra: OMS, 2022.

SANTOS LS, et al. Perfil social-profissional de enfermeiros e médicos da Atenção Primária à Saúde de uma microrregião geográfica. Enfermagem Brasil, 2019; 18(4): 504-511.

SOARES PSM, MEUCCI RD. Epidemiologia dos Transtornos Mentais Comuns entre mulheres na zona rural de Rio Grande, RS, Brasil. Revista Ciência & Saúde Coletiva, 2020; 25(8): 3087-3095.

VOLGSTEN H, et al. Longitudinal study of emotional experiences, grief and depressive symptoms in women and men after miscarriage. Midwifery, v. 64, p. 23-28, set. 2018.

ZUGAIB M, et al. Obstetrícia. 5. ed. Barueri, SP: Manole, 2023.