Resumo
Objetivo: Comparar o perfil clínico-demográfico dos recém-nascidos internados em uma unidade de terapia intensiva neonatal antes e durante a pandemia da COVID-19. Métodos: Estudo observacional, analítico e retrospectivo realizado em um hospital de ensino em Limeira-SP. Analisaram-se prontuários de dois períodos: pré-pandemia (março/2016 a maio/2019) e pandemia (março/2020 a maio/2023). Resultados: A amostra do estudo abrangeu 1.155 prontuários de recém-nascidos, com exclusão de 71 registros devido a informações incompletas. Observou-se estabilidade na maioria dos indicadores materno-fetais, consultas pré-natais e comorbidades obstétricas. As alterações significativas restringiram-se à transição da principal indicação de parto, da Doença Hipertensiva Específica (2,92) para o Trabalho de Parto Prematuro (3,56), e à redução nos escores de Apgar de 1º e 5º minuto, sugerindo comprometimento da vitalidade neonatal imediata sob influência indireta do contexto pandêmico. Conclusão: O impacto limitado da COVID-19 nos desfechos neonatais e a estabilidade das variáveis obstétricas fundamentais demonstram resiliência assistencial na amostra. Contudo, a variação nos escores de Apgar e nas indicações de parto reitera a necessidade de futuras investigações sobre a qualidade do cuidado perinatal em contextos adversos.
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