Resumo
Objetivo: Analisar, à luz da história natural da doença proposta por Leavell e Clark, se o uso de antiagregantes plaquetários após infarto agudo do miocárdio deve ser compreendido como prevenção de recorrência cardiovascular ou como controle da progressão de uma doença já estabelecida. Revisão bibliográfica: Diretrizes contemporâneas classificam os antiagregantes plaquetário ós-infarto como estratégias de prevenção secundária. Entretanto, a aterosclerose é atualmente compreendida como doença contínua, progressiva e persistentemente ativa, tornando menos evidente a separação rígida entre prevenção de recorrência e manejo longitudinal da doença estabelecida. Modelos contemporâneos, como a abordagem do curso de vida, o Modelo de Atenção às Condições Crônicas e a prevenção quaternária, reforçam abordagens centradas em continuidade do cuidado, longitudinalidade, risco contínuo e limites éticos das intervenções em saúde. Observou-se ainda heterogeneidade conceitual nas definições de prevenção secundária e terciária. Considerações finais: A classificação dos antiagregantes plaquetários após infarto depende do critério analítico adotado. Embora frequentemente descritos como prevenção secundária, esses medicamentos também atuam sobre a progressão contínua da aterosclerose, aproximando-se de intervenções tradicionalmente associadas à prevenção terciária. A indeterminação conceitual observada evidencia limites dos modelos preventivos clássicos diante da complexidade das doenças cardiovasculares crônicas.
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