Resumo
Objetivo: Estudar a incidência da hantavirose comparando ao índice de desmatamento nos estados da região sul e sudeste do Brasil entre 2008 a 2017. Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, com coleta dos casos de hantavirose inseridos no banco de dados SINAN NET, disponibilizado pelo DATASUS no período de 2008 a 2017 e os dados do índice de desmatamento disponíveis no Atlas dos Remanescentes florestais da mata atlântica, fundação Mata Atlântica e INPE. Foram analisadas as variáveis: evolução, faixa etária, sexo, ambiente de infecção, zona de infecção e desmatamento. Resultados: Os estados da região sul e sudeste apresentaram 690 casos de hantavirose entre 2008 a 2017. Dentre o total de casos, 51% estão entre 20 a 49 anos, 77% masculino, o ambiente mais afetado é o de trabalho com 42%, e 69% dos casos ocorrem na zona rural. Nos anos de 2011, 2014 e 2017 foi possível observar que a redução significativa do desflorestamento impacta diretamente na redução do número de casos da doença (p=0,031, r=0,9969, Pearson). Conclusão: O desmatamento está diretamente relacionado com as manifestações de hantavirose, sendo necessário um maior incentivo para o desenvolvimento de investigação ecológica e ambiental, e maior conscientização sobre o risco da degradação ambiental.
