Resumo
Objetivo: Avaliar a frequência de uso de métodos contraceptivos entre estudantes do ensino superior, bem como os efeitos colaterais relatados e a adaptação ao método utilizado. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, realizado com 749 participantes, por meio de questionário estruturado aplicado na plataforma Google Forms. Resultados: Observou-se que 74,5% das participantes utilizavam algum método contraceptivo, sendo o contraceptivo hormonal oral o mais frequente (49,8%), seguido pelo dispositivo intrauterino hormonal (12,1%), dispositivo intrauterino de cobre (7,6%) e implante subdérmico (5,3%). O uso de preservativo masculino foi pouco frequente como método contraceptivo principal. Em relação aos efeitos colaterais, 42,3% das participantes não relataram sintomas. Entre aquelas com efeitos adversos, destacaram-se irregularidade menstrual, cefaleia, ganho de peso e dor mamária. A adaptação ao método contraceptivo foi elevada (88,7% entre as que responderam), entretanto 53,4% das participantes manifestaram interesse em migrar para métodos reversíveis de longa duração. Conclusão: Conclui-se que, apesar da elevada prevalência de uso contraceptivo, há predomínio de métodos usuária-dependentes e baixa utilização de preservativos. O interesse por métodos de longa duração sugere possível mudança no padrão contraceptivo entre mulheres jovens.
Referências
ACOG. American College of Obstetricians & Gynecologists. Committee Opinion. Over-the-counter access to hormonal Contraception. Replaces Committee Opinion number 544, 2012. Committee Opinion number 788, 2019; 134 (4): e96-e105.
ACOG. American College of Obstetricians & Gynecologists. Long-Acting Reversible Contraception: Implants and Intrauterine Devices. Replaces Practice Bulletin Number 121, July 2011. Committee on Practice Bulletins—Gynecology, 2017; 130(5): e251-e269.
ASDELL SM, et al. Knowledge and Intention to Use Long-Acting Reversible Contraception among University Students. Journal of American College Health, 2022; 72 (6): 1655-58.
BEARAK J, et al. Global, regional, and subregional trends in unintended pregnancy and its outcomes from 1990 to 2014: estimates from a Bayesian hierarchical model. The Lancet Global Health, 2018; 6(4): e380-89.
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde: ciclo de vida: Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. p. 96.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde (SECTICS). Portaria n. 47, 2025. Torna pública a decisão de ampliar o uso, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, do implante contraceptivo subdérmico de etonogestrel para mulheres adultas entre 18 e 49 anos. 2025. Disponível em: https://www.conass.org.br/conass-informa-n-104-2025-publicada-a-portaria-sectics-n-47-que-torna-publica-a-decisao-de-ampliar-o-uso-no-ambito-do-sus-do-implante-contraceptivo-subdermico-de-etonogestrel-para-m/. Acessado em: 2 de março de 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico Industrial da Saúde (SECTICS). Portaria n. 41, 2025. Torna pública a decisão de incorporar, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, o dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel para pacientes com endometriose com contraindicação ou não adesão aos contraceptivos orais combinados, conforme Protocolo Clínico do Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sctie/2025/prt0041_29_05_2025.html. Acessado em: 2 de março de 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Altera o Anexo XXVIII da Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, que dispõe sobre a ampliação do acesso ao Dispositivo Intrauterino Tcu 380 (DIU de cobre) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt3265_07_12_2017.html. Acessado em: 2 de março de 2026.
DANIELS K e ABMA JC. Current Contraceptive Status Among Females Ages 15–49: United States, 2022–2023. NCHS, 2025. Disponível em: https:// www.cdc.gov/nchs/data/databriefs/db539.pdf. Acessado em: 2 de março de 2026.
CDC. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/contraception/hcp/usmec/table-of-contents.html, Acessado em: 2 de março de 2026.
COSTA J, et al. Texto para Discussão: Gravidez na adolescência: conciliação de vida familiar, estudo e trabalho dos jovens em Recife. IPEA, 2021. Disponível em < https://repositorio.ipea.gov.br/server/api/core/bitstreams/af0fd5e6-625c-4da7-b8c6d997b6c25cf7/content. Acessado em: 2 de fevereiro de 2026.
COUTO ACB, et al. Comportamento sexual dos estudantes do ensino superior. Revista eletrônica Acervo Saúde, 2023; 23(8): e13117.
CURTIS KM, et al. U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 2024. Recommendations and Reports, 2024; 73(3): 1-77
FEBRASGO. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Contracepção reversível de longa duração (LARC). São Paulo: FEBRASGO, 2017.
FREITAS GVSD, BOTEGA NJ. Gravidez na adolescência: prevalência de depressão, ansiedade e ideação suicida. Revista da Associação Médica Brasileira, 2002; 48 (3): 245-9.
FUNDO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A POPULAÇÃO (UNFPA). Relatório Situação da População Mundial 2020 - Contra minha vontade: desafiando as práticas que prejudicam mulheres e meninas e, impedem a igualdade. Disponível em: https://brazil.unfpa.org/sites/default/files/pub-pdf/situacao_da_populacao_mundial_2020-unfpa.pdf.
CHAABAN J, CUNNINGHAM W. Measuring the economic gain of investing in girls: the girl effect dividend. Policy Research working paper. World Bank, 2011.
GBAGBO FY, NKRUMAH J. Family planning among undergraduate university students: a case study of a public university in Ghana. BMC Women’s Health, 2019; 19 (1): 12.
HOFFMAN BL, et al. Ginecologia de Williams. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2017.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Perfil socioeconômico da maternidade nos extremos do período reprodutivo. Rio de Janeiro, 2015.
NILSON TV, et al. Gravidez não planejada no Brasil: estudo nacional em oito hospitais universitários. Revista de Saúde Pública, 2023; 57(1): 1-9.
MACHADO RB, et al. Aspectos práticos quanto à escolha do contraceptivo oral combinado. Femina, 2021; 49(8): 454-60.
MACHADO AKF, et al. Prevalence and inequalities in contraceptive use among adolescents and young women: data from a birth cohort in Brazil. Cadernos de Saúde Pública, 2021; 37(10): e00335720.
MAIOLI C, GONDINHO BVC. Gravidez não-planejada na adolescência e o planejamento familiar na atenção básica: uma análise a partir de um olhar da economia política. JHMPC, 2024.
MIURA PO, et al. Gravidez na adolescência e as experiências da vida escolar. Psicologia Escolar e Educacional, 2023; 27: e238700.
MOLINA CCM, et al. Conhecimento de adolescentes do ensino médio quanto aos métodos contraceptivos. O Mundo da Saúde, 2015; 39(1): 22–31.
NUNES VRV, et al. Educação sobre o uso de métodos contraceptivos para redução da gravidez na adolescência e planejamento familiar. Revista Extensão & Sociedade, 2022; 14(2): 165-76.
OLIVEIRA MPB, et al. Eficácia e segurança de métodos contraceptivos de longa duração em comparação com métodos de curta duração: revisão sistemática. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024; 6(4): 1360–67.
OLIVEIRA LNS, et al. Uso de contraceptivos de longa duração: efeitos colaterais e tolerabilidade. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2021; 24(7): e16801.
PINTO LFA, et al. Conhecimento de universitárias sobre os riscos e benefícios associados aos contraceptivos orais combinados. Revista de Medicina, 2020; 105(2): 423-31.
RAIDOO S, et al. Contraception in Adolescents. Semin Reprod Med., 2022; 40(1): 89-97.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Departamento Científico de Adolescência. Guia prático de atualização: prevenção da gravidez na adolescência. Adolescência & Saúde, Rio de Janeiro: SBP, 2018.
STOPA SR, et al. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: histórico, métodos e perspectivas. Epidemiol Serv. Saúde, 2019; 29(5): 1-12.
TEAL S, EDELMAN A. Contraception selection, effectiveness, and adverse effects: a review. JAMA, 2021; 326(24): 2507-2518.
TRINDADE RE, et al. Uso de contracepção e desigualdades do planejamento reprodutivo das mulheres brasileiras. Ciência & Saúde Coletiva, 2021; 26(2): 3493-504.
UNITED NATIONS. World Family Planning 2022. Meeting the changing needs for family planning: Contraceptive use by age and method. 29p. 2022. Disponível em:https://www.un.org/development/desa/pd/sites/www.un.org.development.desa.pd/files/files/documents/2023/Feb/undesa_pd_2022_world-family-planning.pdf. Acessado em: 1 de março de 2026.
WENDER COM, et al. Influência da utilização de métodos contraceptivos sobre as taxas de gestação não planejada em mulheres brasileiras. Femina, 2022; 50(3): 134-41.
WEST AL, SLADYK K. The satisfaction of contraception in today’s female university students. International Journal of Reproduction, Contraception, Obstetrics and Gynecology, 2022; 11 (5): 1345-50.
WORLD HEALTH PRGANIZATION (WHO). Medical eligibility criteria for contraceptive use. 6th ed. Geneva: World Health Organization; 2025. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115583. Acessado em: 1 de dezembro de 2025.
